| AS ORIGENS, NA FRANÇA
João Martinho Moye nasceu na França, em 1730. Viveu como santo, plenamente entregue a Deus, para fazer sua santa vontade, glorificá-lo e cooperar na salvação mundo. Apaixonado pelo Reino, ele foi profundamente missionário. Sua vida foi marcada pela total confiança na Providência.
Por isso, vivia a pobreza, a desinstalação, a itinerância e o senso da provisoriedade, a oração, a caridade e o zelo apostólico...
Volvamos os olhares para o tempo em que o Padre Moye era coadjutor em Metz - França: Tendo pregado algumas missões nos arredores de Metz, ficou vivamente impressionado pelo abandono em que viviam muitas vezes as crianças das aldeias. Entre as famílias pobres e nas zonas rurais, havia ainda na Lorena, no século XVIII, uma mocidade mergulhada em profunda ignorância, por falta de quem lhe ensinasse a ler, a escrever e, sobretudo, de quem lhe desse o conhecimento das verdades essenciais da religião. Esse triste estado de coisas inspirou-lhe compaixão. Sob o impulso de uma inspiração que lhe compreendeu vir de Deus, resolveu aliviar essa miséria, talvez a mais cruel de todas. Para isso, concebeu um arrojado Projeto: formar Irmãs que fossem sozinhas e sem remuneração alguma, às aldeias e zonas rurais onde não há escolas, para dar aulas e dar catecismo às crianças desamparadas; formar Irmãs e mandá-las de algum modo, entre os braços da Providência, sem abrigo e sem sustento, à mercê da caridade pública. Nunca tal idéia se manifestara, seja na Lorena ou na França. A Congregação da Providência nasceu com Marguerite Lecomte (1737-1834), a primeira jovem que JMMOye conheceu e partilhou o seu Projeto; uma pobre moça, dedicadíssima e piedosa. Aos 16 anos já supervisionava um grupo de operárias de uma pequena fábrica de costura. Seu zelo apostólico levou-a a ajudar as colegas a alimentar a fé por meio da recitação do terço e de orações tradicionais da piedade popular. Hospitalizada por ter quebrado o braço, aproveitou o tempo para aprender a ler. E recuperada, passou a ensinar, interessando-se em ser professora. Aos 17 anos Marguerite conheceu o jovem Padre João Martinho Moyë, coadjutor da Paróquia de São Victor, a quem escolheu como confessor. E dele ficou amiga. Um certo dia, 10 anos depois, Padre Moyë, após uma missão em diversos povoados, estando muito preocupado com a situação das crianças pobres, decidiu enviar as moças a esses lugares. Ela foi uma de suas convidadas. Padre Moyë chamou-a e disse: "Minha filha, vou levá-la para o seu posto. Posso dar-lhe poucas coisas; porém, se você quiser abandonar-se à Providência, terá mais méritos..." "Encontrava-me, na época, em meu primeiro fervor. Nada me custava e respondi: 'Sim, meu Pai, eu me abandono à Providência!'". Inicialmente Marguerite instalou-se numa estrebaria abandonada. Ali ela se considerava um pequenino "grão de mostarda". Aos poucos conseguiu construir um abrigo de pau-a-pique, onde morava e ensinava as crianças pobres do povoado, cativando a simpatia de todos...
Algumas moças generosas vieram juntar-se a ela... E, então, Padre Moyë decidiu fundar uma nova Congregação religiosa para poder abrir novas escolas pequenas na região.
Mas as dificuldades cresceram... Calúnias e incompreensões, resistências... chegaram a influenciar os padres e o bispo...
E quando Padre Moyë se ofereceu, aos 41 anos, para ser missionário e foi para a China, onde ficou por dez anos, o Cônego Raulin, seu amigo e colaborador em seu Projeto, o substituiu à frente da Congregação das Irmãs. JMMoyë realizou um memorável trabalho apostólico na China. Enfrentou muitas dificuldades inerentes a estar em um país tão desconhecido. Mas enfrentou também peste, perseguição, prisão e tortura.
Fundou a "Obra Angélica", para voluntários e voluntárias que percorriam as aldeias e batizavam crianças em situação de risco de vida. Fundou a "grupo das Virgens Chinesas", muito semelhante à Congregação da Providência, iniciada na França. Dedicou-se com zelo à Pastoral Vocacional e à formação de sacerdotes autóctones, que ele considerava fundamentais para a China.
Escreveu diversos textos de teologia, catequese, devoções para os fiéis na China. Com saúde muito abalada, Padre JMMoyë regressou, com 54 anos, à França, em 1784. Sentiu muito ter de deixar a Missão. Mas, voltou enriquecido com tudo o que viu, estudou, aprendeu, ensinou. E, como sempre, plenamente entregue à Divina Providência para aquele momento novo e para o futuro.
Recebido na França com muito entusiasmo, JMMoyë tomou logo conhecimento do que acontecera em sua ausência. Ficou muito feliz com o aumento do número de Irmãs e com o bem que realizavam. Demonstrou-se muito agradecido aos Sacerdotes que as apoiaram.
Depois, a pedido das Irmãs e daqueles Sacerdotes, assumiu a missão de consolidar a sua querida Congregação das Irmãs da Providência, auxiliando também a Igreja com retiros, cursos, missões populares...
Ao iniciar a Revolução Francesa, JMMoyë rejeitou a "Constituição civil do clero". E para não fazer o juramento exigido pela Revolução, retirou-se, em 1791, em Trèves - Alemanha, sede do bispado de Lorraine. E ali passou a viver com o bispo, outros sacerdotes, religiosos e religiosas. Quando morreu, em fama de santidade, em 1793, aos 63 anos de idade e 39 de sacerdócio, vitimado pelo tifo, a Revolução Francesa já perpetrava seus gigantescos e históricos estragos, que atingiram profundamente a Congregação das Irmãs .
Depois da Revolução, o Cônego Raulin, que havia deixado a França, voltou em 1802. E com muito amor dedicou-se ao restabelecimento da Congregação, que se firmou e se expandiu... Mas, a Divina Providência conduziu e atualmente somos 7 Congregações, irmanadas pelo mesmo fundador e o mesmo carisma...
No dia 21 de novembro de 1954, o Papa Pio XII beatificou Jean Martin Moyë. AS ORIGENS, NO BRASIL
A brasileira Dona Maria Goulart de Andrade decidiu, em 1904, criar escola para meninas e moças em Carmo do Rio Claro, MG. Sua preocupação chegou ao Bispo de Pouso Alegre, Dom Nery, e à Madre Tonti, das Irmãs do Sacré Coeur, residente em Auch, que era irmã do Senhor Núncio Apostólico, Monsenhor Tonti. Em breve, o pedido chegou ao conhecimento das Irmãs da Providência de Gap, sensibilizando um inquieto coração missionário, o de Madre Maria Raphael, que conhecia a Madre Tonti.
Ela confiou à Divina Providência seu sonho de ser missionária no Brasil, e o apresentou a suas Superioras. Partindo de Bordeaux (França), no dia 10/06/1904, festa do Sagrado Coração, algumas Irmãs embarcaram para o Brasil... Eram seis jovens "Marias": Maria Raphael, Maria Fernanda Benquet, Maria Marcial Rachet, Maria Eugênia Courtiés, Maria Valéria Viguerie e Maria Isabel Cadays.
E nos 18 longos e cansativos dias de viagem, elas se esforçaram por aprender a Língua Portuguesa e oraram profundamente a missão que estavam assumindo. O desembarque no Rio de Janeiro aconteceu no dia 28 de junho. Cinco dias depois, 02 de julho de 1904, enfrentando mais uma longa viagem, as Irmãs chegaram ao Carmo do Rio Claro, MG, hospedando-se inicialmente na casa de Dona Maria Goulart. O Carisma
"O verdadeiro espírito de vosso estado é o espírito de simplicidade, de pobreza, de caridade e de total abandono à Providência. Eis as quatro colunas que sustentam o edifício de vossa sociedade. Enquanto as praticardes, subsistireis, e assim que as abandonardes, sucumbireis ou subsistireis apenas aos olhos dos homens e estareis mortas aos olhos de Deus. "Eu vos expliquei essas Quatro Virtudes no Projeto, mas nunca deixareis de meditá-las, porque é pela aplicação contínua em meditá-las, desejá-las, praticá-las em todas as ocasiões que as haveis de adquirir, e que nelas vos aperfeiçoareis sempre, cada vez mais, até a morte" (João Martinho Moye)
A Missão
JMMoyë assumiu a missionaridade "ad gentes" como essencial à sua vida de seguidor de Jesus no presbiterato. Passou um longo tempo na China. Enriqueceu, assim, substancialmente a vivência concreta da missão cotidiana de sua entrega ao Senhor no Ministério que recebeu da Igreja.
Esta mesma paixão de tudo fazer para construir o Reino de Deus, JMMoyë a transmitiu às Irmãs da Providência.
É esta mística que as Irmãs devem viver e encarnar, onde se encontram e, também, deixando o lugar onde estiverem, partindo para mais longe, ao encontro dos mais necessitados da explicitação do Evangelho e da promoção humana.
Nós, Irmãs da Providência de Gap somos 7 Províncias e duas Regiões: duas Províncias na França, uma na Espanha, uma no México, uma na Índia, duas no Brasil. Uma Região no Benin, África e uma no Nordeste do Brasil.
A sedes das Províncias e da Região do Brasil são em Itajubá - MG e São Paulo - SP. A sede da Região está em Salvador - BA, ligada à Província de Itajubá. No momento somos aproximadamente 250 Irmãs no Brasil.
A Província de São Paulo, também conhecida como Província Sul, conta com 77 Irmãs e é formada por 16 Comunidades e algumas Irmãs enviadas em missão especial: Tocantins - 01 Comunidade; Goiás - 02 Comunidades; Distrito Federal - 01 Comunidade; Santa Catarina - 02 Comunidades; São Paulo - interior: 04 Comunidades - Capital: 06 Comunidades (incluindo a sede).
Como obras institucionais, no Brasil temos na Província de Itajubá, um Colégio de Ensino Fundamental e Médio e uma Faculdade de Enfermagem. Na Província Sul, um Colégio de Ensino Fundamental e Médio; um Centro Social que atende atualmente 120 crianças e adolescentes das favelas próximas ao Bairro do Limão, local da sede da Província Sul. O forte de nossa missão são as Comunidades inseridas em meios populares e periferias das grandes cidades, sempre voltadas para a formação de lideranças, promoção e evangelização dos mais pobres, somos chamadas a ser providência da Providência onde estivermos, atualizando desta forma, o sonho de João Martinho Moye, ao enviar moças para as aldeias mais distantes, vivendo num completo abandono à Providência, numa vida de simplicidade, pobreza e caridade.
Site: www.cpmoye.com.br Contatos: Irmãs da Providência de Gap em São José do Rio Preto Fones: (17) 3217-6468; 3236-8223 Tanabi: 3274-2313 São Paulo: (11) 3858-0695 |