"Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre". - Ap 5,13  
 
 

O MINISTÉRIO PETRINO

A figura de Simão Pedro ocupa lugar central no colégio apostólico e no relacionamento com o Senhor. É o primeiro discípulo de Jesus em sentido próprio, que lhe deu o nome de Pedro, que pode significar rocha, pedra preciosa, o mais importante.

A ele Jesus se dirige com as palavras decisivas: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,17-19). "Confirma os teus irmãos" (Lc 22,32). "Apascenta os meus cordeiros" (Jo 21,15-17).

Após a ressurreição do Senhor, Pedro ocupa uma função de primeiro plano na Igreja: é sempre o primeiro apóstolo a ser nomeado, é a primeira testemunha da ressurreição, chefia a comunidade de Jerusalém, Paulo o chama de Cefas ou Pedro. Ele é a ´rocha` da Igreja, sendo citado 195 vezes no Novo Testamento.


A ligação de Pedro com Roma

Após um período de viagens missionárias, com permanência em Antioquia e Corinto, Pedro se estabeleceu em Roma (não antes de 55) e ali é crucificado no ano 64 (a tradição fala em 67).

A historiografia protestante quis negar a presença de Pedro em Roma, mas essa é atestada no Novo Testamento (1 Pd 5,13) e nos Pais apostólicos: Clemente romano (Carta aos Coríntios 5-6) e Inácio de Antioquia (Carta aos Romanos 4,3) e nos apócrifos (Ascensão de Isaías e Apocalípse de Pedro).

Grande testemunho histórico indireto é o fato de que nenhuma outra cidade negou a tradição romana, dizendo: "o martírio foi aqui", "suas relíquias estão conosco". Ninguém rejeitaria esse prestígio.

Prova quase definitiva são as escavações arqueológicas realizadas sob a basílica de São Pedro nos anos 1940-1949 e 1954-1957. Ali encontrou-se um túmulo protegido de maneira particular e um monumento do ano 160, do qual temos notícia no ano 200 através do sacerdote Gaio: "Posso mostrar-te os túmulos de Pedro, no Vaticano, e de Paulo, na Via Ostiense". É muito difícil contestar os resultados das escavações.

A Igreja de Roma é importante porque nela viveram Pedro e Paulo, colunas da Igreja, e ali testemunharam a fé com o martírio, e ali estão seus túmulos. Roma tem a missão de continuar o testemunho de Pedro e Paulo e a fidelidade à tradição.


Pedro e seus sucessores

Ninguém nega que Pedro recebeu de Jesus o poder das chaves, de confirmar os irmãos na fé. A pergunta é outra: esse poder era somente da pessoa de Pedro ou passou também a seus sucessores em Roma? Os protestantes em geral dizem que era de Pedro e somente nos tempos apostólicos. Depois passou a toda a Igreja e não a uma pessoa determinada.

Novamente a resposta deve ser encontrada na tradição da Igreja. Pelo ano 180, o grande bispo e teólogo, Irineu de Lião, transmite uma lista de bispos de Roma: Pedro, Lino, Cleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério. Escreve Irineu: "Após ter fundado e edificado a Igreja, os santos apóstolos (Pedro e Paulo) confiaram a Lino o serviço do episcopado". Irineu deixa claro que a missão do bispo de Roma não é administrativa, mas da continuação do testemunho da verdade, o primeiro e próprio ministério de Pedro.

Foi lento o processo de tomada de consciência do conteúdo e da importância do ministério petrino, mas a história dos primeiros séculos revela com clareza que toda a Igreja olhava o bispo de Roma como o primeiro entre todos os bispos e patriarcas. Era claro que ele detinha o primado da caridade, possuía a missão de guardar a unidade na Igreja e a ele apelavam bispos de outros patriarcados. Nos grandes concílios da Antigüidade, os legados (representantes) do papa tinham uma palavra e autoridades especiais.


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