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CONCLAVE
A escolha de um papa
O ritual da eleição de um papa é fascinante! Tem a solenidade e a majestade daqueles acontecimentos destinados a permanecer na memória das pessoas. O processo, tal como é hoje, foi detalhado pelo Papa Gregório X, entre 1621 e 1622. Alguns procedimentos foram mudados por João Paulo II, com a constituição apostólica "Universi Domini gregis" (O rebanho universal do Senhor), de 22 de fevereiro de 1996. Teoricamente, qualquer adulto do sexo masculino é papábile, ou seja, pode ser eleito papa. Na prática, no entanto, já há muitos séculos que só cardeais têm sido escolhidos.
A morte do papa
Assim que um papa morre, a primeira providência é chamar o Camerlengo, que é o chefe do Sacro Colégio de Cardeais. De pé, ao lado do corpo, ele toca três vezes na testa do papa com um martelinho de prata e o chama três vezes pelo nome de batismo (e não pelo nome que adotou ao ser eleito).
Se não houver resposta, ele anuncia o falecimento e quebra o anel do Pescador (que o papa usa para lembrar o momento em que Jesus diz a Pedro que ele seria um pescador de almas, e no qual está gravado o nome do papa). O Camerlengo também inutiliza o timbre papal (que é a marca da autenticidade dos documentos assinados pelo Sumo Pontífice). E dá início aos preparativos para o enterro e para os nove dias de luto. Ele também vai organizar a eleição do próximo papa.
O Conclave
Depois de 15 ou 20 dias, o Sacro Colégio de Cardeais reúne-se para a eleição. Essa reunião é chamada Conclave. Literalmente, conclave quer dizer "local que deve ser trancado de forma segura (conclave = com chave)". Hoje, além de designar a grande sala reservada para a reunião dos cardeais encarregados da escolha de um novo papa, também significa o próprio encontro. Todos os cardeais com menos de 80 anos devem participar do conclave. Eles chegam dos quatro cantos do planeta. Durante o tempo que durar a reunião (até que a escolha seja feita), ficarão absolutamente isolados do mundo, recolhidos em aposentos especiais, próximos à famosa Capela Sistina, onde o conclave, propriamente dito, acontece.
Para abrir o conclave, uma missa é celebrada na Catedral de São Pedro. Cada cardeal faz o voto de manter a eleição em segredo e todos rezam para que o Espírito Santo inspire suas escolhas, estando presente nas deliberações. Depois se recolhem. As salas são examinadas para detectar possíveis microfones, as entradas são seladas, as cortinas fechadas.
O ritual na Capela Sistina
Na Capela Sistina, transformada em sala do conclave, as cadeiras altas têm um baldaquim de cor púrpura, uma espécie de cobertura. A escolha da cor não é um acaso: púrpura é, tradicionalmente, a cor do luto e também da realeza. O trono do papa é removido. Seis velas são acesas no altar, onde está o cálice sagrado. É nele que serão colocados os votos. Os cardeais adentram a Capela Sistina sem chapéu. As cabeças descobertas e os baldaquinos simbolizam que a autoridade suprema nasce apenas dessa reunião, e que não pertence a nenhum deles, individualmente.
Quando não se reúnem na Capela Sistina, os cardeais ficam em suas celas. Cada um toma as refeições reservadamente e cada cela é fechada por um tecido, na cor que simboliza a ligação do respectivo cardeal com o papa morto: púrpura (se o cardeal foi escolhido por aquele papa), ou verde (caso não tenha sido escolhido por aquele papa). Quando não desejam ser perturbados, eles podem fechar a porta, cuja moldura tem o formato de uma cruz em diagonal, conhecida como a Cruz de Santo André. Os cardeais devem ficar sempre juntos e todos os aposentos são próximos o bastante para que eles sejam permanentemente vistos uns pelos outros.
A votação
O voto é secreto (escrutínio). No passado, um papa era eleito com dois terços dos votos, mais um. O Papa João Paulo II mudou essa regra. Hoje, a escolha é feita pela maioria absoluta, quer dizer: metade dos votos mais um. Duas sessões de votação são feitas a cada dia: uma pela manhã e outra à tarde, ou pelo tempo que for necessário. Cada cardeal deposita seu voto no cálice, sobre o altar. Depois de cada sessão, os papéis da votação são queimados. Se a votação não foi conclusiva, uma substância química é adicionada aos papéis para que eles produzam uma fumaça negra ao queimar. A fumaça que sai pela chaminé, no telhado do Palácio do Vaticano, é um sinal para a multidão que espera na Praça de São Pedro. Enquanto for negra, significa que a Igreja está sem sua principal figura.
O resultado
Mas, afinal, os cardeais chegam a uma conclusão. O deão, ou o mais velho dos cardeais, pergunta ao novo papa se ele aceita a eleição e por qual nome quer se tornar conhecido. Esse costume vem desde o século X e é uma lembrança de que Jesus mudou o nome de São Pedro ao escolhê-lo para chefe de sua Igreja. Nesse momento, todos os baldaquinos cor de púrpura dos tronos são levantados, menos o do escolhido. Os papéis da votação são queimados e a fumaça branca avisa ao povo na praça que um novo papa foi eleito. O escolhido é, então, levado para um quarto ao lado, onde veste as roupas de papa. Os cardeais prestam a ele sua primeira homenagem. O deão vai até o balcão e proclama: "Habemus papam!" (Temos um papa). E o novo pontífice aparece no balcão para abençoar a multidão. |