Por: Rivaldo Roberto Ribeiro
A comunidade católica de José Bonifácio perdeu um grande sacerdote, Monsenhor Ângelo Angioni foi pastor de tantas ovelhas que via nele o reflexo de Deus. Da sua sabedoria e fé produziram muitos discípulos: Sacerdotes e leigos. Foi um homem da Paz, um ícone de amor da Fé por Nosso Senhor Jesus Cristo e uma grande devoção a Nossa Senhora. Com sua voz mansa e seu sotaque italiano nos mostrava os evangelhos na tentativa de melhorar o homem, e melhorou, fez a cidade de José Bonifácio mais cristã. Ensinou e mostrou-nos o caminho como instrumento de Deus que ele sempre foi. E nesse momento triste para todos nós, quando toda cidade está em silencio, nos levando a ouvir nossas consciências para que despertem da agitação dos tempos modernos, que nos leva a incredulidade e a nos afastar de Deus.
Portanto a sua morte representa a revitalização da fé cristã, a ressurreição de Jesus Cristo dentro de cada um de nós, enxergamos a morte como fim, contudo para anjos de Deus como Monsenhor a sua morte sempre representa um recomeço, pois reaviva a chama do amor cristão dentro dos nossos corações, e acreditar que é possível a todos nós sermos mais fraternos, praticar mais o amor, para assim construirmos plenamente a unidade dos filhos de Deus e o Seu o Reino.
Alem da sua grande obra de Fé construída em cada ser humano que o conheceu, Monsenhor remodelou a Paróquia São João Batista com a ajuda do vigário Paroquial: Pe. Mauro Ziati Pereira e tantos outros, a tornando em um dos mais belos templos da região de São José do Rio Preto-SP. (Is 28,14-16 Eis que firmo em Sião uma pedra, uma pedra a toda prova uma pedra angular preciosa, estabelecida para servir de fundação.).
Nesse momento fecho os olhos e na minha mente vejo as Missas de domingo com a Igreja sempre cheia de fiéis, silenciosa ouvindo os sábios sermões do Monsenhor, onde ele sempre fazia uma ligação entre o céu e a terra. O céu sobre os caminhos da nossa salvação para vida eterna e a terra falando sobre o nosso comportamento cristão para merecer o céu. E era exatamente isso que Monsenhor dizia: "O nosso único objetivo é a salvação das nossas almas." Esse seu modo de pensar foi me revelado por um dos seus ex-seminaristas, que é meu amigo.
Monsenhor tinha um dos grandes dons concedido por Deus: a sabedoria, que o levava a ter doçura a quem o procurava, e ouvia dele divinos conselhos que transformava momentos de suprema angustia em serena paz de espírito. "Meu filho, faze o que fazes com doçura, e mais do que a estima dos homens, ganharás o afeto deles." Eclesiástico, 3, 19.
"Foi em maio de 1998, eu nunca havia experimentado tamanha angustia e solidão, com minha pequena família, esposa e um casal de filhos, passageiros do mesmo barco, um barquinho frágil que balançava muito, o vento e as ondas eram fortes, poderia transformar nós todos em náufragos. Eu, o timoneiro quase desistia, imaginava que seria impossível vencer a tempestade, minhas forças fraquejavam... Mas havia um horizonte, o que haveria por lá?"
Assim naquela manhã de outono e frio entrei sorrateiramente na casa paroquial... A bonança começava a chegar... Um sacerdote de cabelos brancos, vos tranqüila apontava-me uma poltrona, e ali diante do Monsenhor não encontrava um meio para dar inicio a nossa conversa, fiquei cabisbaixo e calado... Mas o sábio Monsenhor soube pegar a ponta do fio do novelo da minha vida, e desenrolando mostrando-lhe minhas magoas, desilusões, fraquezas, falta de perdão, o nosso dialogo foi se estendendo, e ele como psicólogo de Deus decifrou o meu ser. Levantou-se calmamente até um cômodo nos fundos e de lá me trouxe um livrinho "Imitação de Cristo" que hoje é fonte de aprimoramento da minha fé e compreensão da vida terrena.
"Depois dessa conversa voltei outras vezes a vê-lo pessoalmente, a ultima delas ele já enfermo no leito imóvel parecia que não ouvia minhas palavras, mas o agradeci e rezamos juntos, parti dali prometendo voltar mais vezes...".
Perdemos o homem físico, mas podem ter certeza ganhamos um aliado no céu.
Monsenhor Ângelo Angioni, faleceu nesta manha de 15 de setembro de 2008 (5h30), era italiano da Sardenha-Itália, onde nasceu aos 14 de janeiro de 1915. Foi ordenado Sacerdote aos 31 de julho de 1938. Vindo para o Brasil em 1951, e como Pároco da Paróquia de São João Batista em José Bonifácio-SP viveu uma vida sacerdotal de 70 anos a serviço de Deus.
A sua missão foi cumprida, deixou um lindo legado ao povo de José Bonifácio, obrigado Monsenhor, agora nos braços de Cristo e Nossa Senhora rogue por nós!
Consolemos com as promessas de Deus para aqueles que o amam:
É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. I Coríntios 2,9