"Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre". - Ap 5,13    - Ultimo Artigo de Dom Paulo: "A auto-suficiência "  
 

14/04/2008 Márcio Antônio Deotti escreve carta para Dom Paulo sobre Santa Lola

Conteudo

Meu nome é Márcio Antônio Deotti Ibrahim e sou residente no município de Juiz de Fora, MG.
Fui uma das pessoas agraciadas pelo convívio de Lola (Floripes Dornelas de Jesus, de Rio Pomba, MG), senhora a quem tive a honra de servir e compartilhar de grande amizade e que acredito o senhor já deve ter ouvido falar.
Desde criança, levado nos colos de minha mãe, até a sua morte, freqüentei a casa daquela humilde senhora.
Foi através de minha família, por uma grande e fervorosa amizade, começada com a minha avó, Dona Maria José de Carvalho Deotti, e posteriormente continuada pelas suas filhas, Marcy Deotti Ibrahim (minha mãe), Ilva Deotti Gonzaga e Cleonice de Carvalho Deotti, e finalmente por mim, que se manteve abastecida de toda sorte de mantimentos aquela residência onde Lola construiu de forma exemplar a sua história.
Durante anos todas as sextas-feiras, levávamos, ou mandávamos um de nossos motoristas levar, os mantimentos que eram servidos aos padres, religiosos e eventuais visitantes que por ali passassem. (Não será difícil ao Senhor comprovar estes fatos).
Dessa forma cresci tendo a Lola, como uma Tia e dela compartilhei a mesma afinidade. Naquela casa, nunca precisei de ser anunciado. Freqüentei como pessoa de casa, batia-lhe a porta do quarto e ela me mandava entrar. No final de seus dias, tínhamos aqui em Juiz de Fora, a chave da casa de Lola, que usávamos para entrar, visto que ela infelizmente, teimava em morar sozinha e "abandonada" naquela afastada moradia.
Quando a questionava ela insistia que não estava e nem ficava sozinha, dizia que Jesus estava ali e ao perguntar-lhe se ela o via, ela perguntava: - Para que?
Foram mais de sessenta anos de devoção, fé e confiança.
Chego a me emocionar quando lembro destes fatos.
Eu a conhecia e a amava como uma amiga, uma parente próxima; longe de vê-la como uma religiosa ou uma Santa. Minha formação Universitária e Técnica (Sou Engenheiro Civil, Analista de Sistemas e Mestre em engenharia de Produção) sempre criaram um obstáculo para uma maior aproximação com a situação "Lola Santa".
Porém, atendendo suas orientações, freqüentava a missa e comungava nas primeiras sexta feiras de cada mês. Era atendendo também aos seus pedidos, que mandava imprimir e distribuía milhares de livrinhos da Grande Promessa do Sacratíssimo Coração de Jesus e indiretamente divulgar a Grande Promessa do Sagrado Coração a Santa Margarida, uma conduta totalmente mecanizada, em atenção a uma Paraplégica, a quem eu amava, respeitava e por quem eu tinha um grande sentimento de caridade.
A ela sempre ia com o intuito de ajudar e ela sabia disto.
Chegava, beijava suas mãos em reverência, como quem se apresenta a uma tia, me sentava num tamborete que ficava ao lado de sua cama, ou às vezes até em sua cama, e lhe perguntava do que estava precisando, e como poderia ajudá-la. Ela sorrindo, agradecia e dizia que o que precisava já estava acontecendo, precisava de minha visita. Falava de suas dores, seus trabalhos, suas vontades, das visitas que havia recebido, mas nunca deixava que eu ou qualquer outra pessoa carregasse sua cruz. Essa ela se orgulhava de sustentar sozinha. Pela honra e Glória do Sagrado Coração de Jesus.
Apesar de todo ambiente religioso que envolvia sua casa, seu quarto, nunca nos aprofundávamos sobre o assunto religião. Eu sempre me preocupava com a minha amiga enferma e nunca enxergava aquela oportunidade de que eu estava tendo, de estar perto de uma alma tão próxima de Deus. Aliás, hoje eu percebo e me alegro com esta oportunidade que a vida me deu, ter compartilhado desta importante amizade.
Lembro-me certa vez, que Lola chegou a dizer que se sentia como se fosse minha irmã, porque eu e a minha mãe a enchíamos de mimos e a tratávamos com excessos. Mas na verdade era muito pouco o que fazíamos. Gostaríamos de ter feito muito mais, mas ela não nos permitia; tão doce e sofrida era aquela humilde alma. Tão pouco, fizemos por ela, e ela mesmo assim sempre tão grata.
Conheci as intenções de Lola, após todos estes anos de convívio, posso lhe garantir que a conhecia, não somente pela sua incontestável e divulgada devoção ao Sagrado Coração de Jesus, mas como "Uma fervorosa defensora da Igreja Católica". Fico imaginando, o que não teria ela feito, se não fosse uma pessoa condenada a viver em seu leito e dependente da boa vontade de terceiros.
Havia em Lola, uma grande preocupação com a Igreja, principalmente na formação e fortalecimento de seus sacerdotes. Ela percebia e alertava constantemente para a necessidade de estarmos formando novos religiosos, e nos pedia para amparar os que lutavam pela Igreja e aqueles que descobriam a vocação religiosa.
Em toda sua humildade, ela se sentia muito feliz com o seu destino. Posso lhe afirmar que ela ficava feliz de me ver chegar para visitas, mas nunca em momento algum, permitiu, sequer, um prolongamento de argumentação, sobre a possibilidade de tirarmos ela dali. Era naquelas condições que ela se sentia útil a humanidade. Rezando pelas pessoas, mas principalmente pela Igreja e suas Obras.
Lola enxergava seu destino trágico, como uma benção, era como se Deus em sua misericórdia a houvesse escolhido para sofrer pelos outros, e ela aceitava este sofrimento com grande orgulho, pois se sentia desta forma útil, Ela estava a serviço de Deus.
E foi na intenção de não deixar, o seu trabalho se acabar, que Lola fez um testamento em que destinou todos os seus bens a IGREJA CATÓLICA.
Tenho trabalhado, desde a sua morte, na divulgação da Vida e Obra de Lola. E inúmeras são as graças alcançadas que tenho ouvido as pessoas testemunharem, graças anteriores e posteriores a sua morte, algumas inclusive com atestado médico e é em sua memória que eu humildemente recorro ao Senhor e a todos os Bispos do Brasil, para que incentivem dentro de suas Arquidioceses para que as pessoas conheçam a vida desta bondosa alma que viveu e morreu pela Igreja Católica.
Este fato é atestado, por centenas de religiosos que a conheceram e a quem, com grande carinho, ela dispensou toda atenção e sacrifícios.
Lola defendia a Igreja e seus sacerdotes, como uma irmã amorosa a proteger os seus irmãos.
De seu leito, ela pedia que as pessoas incentivassem as práticas católicas, que respeitassem os padres, que ajudassem os seminários e seminaristas. Ela colocava a Igreja Católica a frente de todas as suas aspirações. Ela entendia que esta era a vontade de Deus e que o meio era a Igreja Católica e seus religiosos.
Este reconhecimento lhe foi dado em vida e sempre era atendida por todos os religiosos a quem ela recorria.
Reconhecimento este que em 28 de março de 1965, por ordem do Bispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, instalou-se o altar que existe até hoje em seu quarto e que contém entronizado Jesus Sacramentado. O Santíssimo onde se guardavam as hóstias que lhe alimentavam a alma, pois o seu corpo, estranhamente, não se necessitava alimentar.
O mesmo reconhecimento que levou diversos religiosos a celebrarem e carregarem o seu caixão no dia de seu falecimento, seguidos pelos milhares de leigos e outros religiosos que se misturavam na Pequena Igreja de São Manoel e pelas ruas de Rio Pomba.
Tenho, juntamente com alguns amigos, conseguido que muitas pessoas conheçam a importância da vida e da obra desta saudosa senhora pela sua dedicação, fé e devoção ao Sagrado Coração de Jesus e a Sua Igreja, mas a coisa mais difícil e que me tem causado maior sofrimento é perceber, que estamos trabalhando sozinhos. Não temos recebido o apoio e o incentivo de quem Lola, tão ardorosamente defendia. Portas que deveriam se abrir se fecham, no lugar de sorrisos caras fechadas.
O Senhor não imagina como é triste, viver com a realidade de testemunhar por quem sempre lutou pela Igreja, se submeteu a suas orientações, acreditou na instituição e defendeu seus princípios até a morte e que hoje se encontra ignorada, questionada e desacreditada pelos representantes da mesma instituição.
Como é triste tentar convencer quem deveria estar convencendo.
Me perdoe se estou me excedendo, mas é porque, como disse no princípio, eu a tenho como uma amiga, eu a conhecia, conhecia sua religiosidade e suas devoções, eu a observava e mesmo não tendo nunca interferido diretamente em assuntos religiosos, eu a acompanhava e as vezes até ajudava da forma que podia; e é por ser um leigo convertido e que foi convencido a acreditar no que ela defendia, que fica ainda mais difícil de aceitar que ela tenha sua obra de vida perdida.
Será que de nada valeu sua fé, suas orações, as conversões, as graças, os apostolados, as centenas de imagens entronizadas, os milhares de livrinhos da Grande Promessa distribuídos, a propriedade, as doações aos seminários, o apoio aos projetos da Igreja, a defesa incondicional da instituição etc.
Será que é só isso? O que mais ela deveria ter feito para ser abençoada e reconhecida?
Humildemente, senhor, eu lhe peço, que nos ajude na defesa desta memória, deste exemplo de vida cristã.
Não se trata de questionar o já provado, ou seja, que ela não comia, não bebia e não dormia. Nem tão pouco de se juntar e organizar as centenas de milagres e graças atribuídas a sua interseção, antes e depois de sua morte. Nem tão pouco, um pedido pela interferência direta ou indireta no processo de Beatificação, aberto por Dom Luciano, de número 2699 e que recebeu a Nulla Osta em 30 de Novembro de 2005, pois tenho consciência de que isto é uma competência do atual Bispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha e de quem certamente veremos todas as providências serem tomadas pelo andamento e tão sonhado deferimento da beatificação. 
Trata-se de reconhecimento, gratidão e continuidade de uma vida de luta pela Instituição que a todos estamos ligados, leigos e religiosos e a qual tantos amamos.


Assim, peço-lhe, humildemente, que no dia 9 de abril - Dia do Falecimento de Lola, sejam recomendadas em todas as igrejas das Arquidioceses se celebrem missas pela Memória de Floripes Dornelas de Jesus - A Lola, que tudo fez pela nossa amada Igreja Católica, pelos seus seguidores, todos os seus Santos, a Santíssima Trindade e pelos Sagrados Corações de Jesus e Maria.

Simplesmente em reconhecimento por esta vida de sacrifícios, orgulho que deve ser compartilhado por todos os católicos, religiosos ou não, um presente de Deus, para que todos repensem na força da Eucaristia e dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e na Instituição Igreja Católica, a verdadeira Igreja de Cristo.

Peço-lhe desculpas pela ousadia, mas o faço em nome de uma amizade, que roga pelo reconhecimento de UMA GRANDE VIDA DE VIRTUDES.

Márcio Antônio Deotti Ibrahim
Engenheiro Civil
Analista de Sistemas
Mestre em Engenharia de Produção
Professor Universitário
Empresário
Produtor Rural
Amigo de Lola

 


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